10/18/2005

naquela noite não reconheci o rosto

que me estendeu a luz para entrar. sei que eras tu. só podias ser tu. mas toda a expressão estava mudada e dura, pelo menos assim eu a senti.



- só porque me atrasei... - pensei, sem dizer nada além do "boa noite" habitual.

tu não falaste. estava a ceia na mesa. ceia fria de quem já não espera por ninguém mas insiste em manter a mesa posta.

sempre detestei comida fria e tu sabias. sem uma palavra foste-te deitar. não te segui nem te perguntei nada.

- amanhã já passou - pensei.

pensamos tanta coisa.

e no entanto, esta tarde na subida, vi as rochas pejadas de flores, terei sonhado?

Jachson

e tirei da mochila a foto da tua mão colhendo hera, para os arranjos que te punham tão feliz.
faltavas tu. faltas em todo o lado.
e eu que me julgava já tão livre de ti e do passado.

by Sreven Gelberg


queria ser como os lobos. ter instintos de luta para defender terreno. queria não ser esta espécie civilizada que tudo perde para não perder o orgulho. para não lutar.

e queria, queria tanto dormir sem te lembrar!

by Eric Boutillier Brown


mas como, se escolhi logo o rio que me ensinaste? a mim, que só sabia o mar.

3 dicas:

Blogger batista filho está¡ dito...

Essas duas últimas publicações foram, literalmente, de arrepiar!
Valeu. Um beijo saudoso.

terça out 18, 11:25:00 da manhã GMT  
Blogger lique está¡ dito...

Li este post e o anterior, com a fascinação de quem segue uma peregrinação à memória. Beleza de escrita, a tua! Beijinhos

terça out 18, 11:56:00 da manhã GMT  
Blogger Lumife está¡ dito...

Nada mais acrescento às palavras da Lique. Está ali tudo que se pudesse dizer.

Espero não teres ficado zangada comigo pela falta involuntária.

Beijos

terça out 18, 12:59:00 da tarde GMT  

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