11/22/2005

a porta já aberta. e descrever o abraço?

francis bake


quem sabe alguma coisa do intemporal, do para lá dos corpos e das almas, da inversão da vida, do vê-la até pelo avesso, do redemoínho de ramo de árvore ao vento, a encontrar de novo o tronco mãe?

inenarrável pois o reencontro. silencioso, intenso, casto até. como se resultasse de espera milenar.

- para onde fugiste tu, porquê?

- foste tu quem partiu sem avisar e ... havia a igreja pelo meio.

- saí a tempo de me libertar de votos feitos. o meu voto eras tu.

- não o disseste.

- não o adivinhaste?

- ó meu amor, não sei!

- e como estás aqui?

- trabalho na casa grande. no primeiro dia ouvi tocar... hoje não resisti, vim procurar o artista.

- desde que voltei à cidade e não te vi, saí dessa casa e a minha mãe ficou triste e fechou-se também.
se eu soubesse...


mais palavras não houve. apenas teclas, teclas tocadas a quatro mãos imparáveis, ansiosas de produzir a mais maravilhosa música do mundo.

Mik Hartmann

3 dicas:

Blogger Caracolinha está¡ dito...

Olá, olá .... pelo que parece fui a primeira a ter o privilégio de ler este maravilhoso texto ... quem ainda não apareceu por cá não sabe o que está a perder ;)

Uma beijoca encaracolada em amizade e carinho para ti que és a loba mais linda da blogosfera !!!!

terça nov 22, 03:19:00 da tarde GMT  
Blogger batista filho está¡ dito...

:)

terça nov 22, 04:22:00 da tarde GMT  
Blogger Manel do Montado está¡ dito...

"(...)quem sabe alguma coisa do intemporal, do para lá dos corpos e das almas, da inversão da vida, do vê-la até pelo avesso, do redemoínho de ramo de árvore ao vento(...)"

O que dizer senão que bebo cada palavra como se da última gota de água se tratasse.
A excelência de associação da palavra à imagem, o sentir profundo da narrativa, aquele misto de mistério e deslumbre, na realidade são o condimento e o encorpar da verdadeira arte de escrever.
Beijo respeitoso, sempre
Maneli

terça nov 22, 05:15:00 da tarde GMT  

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